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16/03/2026

SINSERPU-JF lança série especial: “A cidade invisível”

O SINSERPU-JF dá início, nesta segunda-feira, 16 de março, a uma série especial de textos intitulada A Cidade Invisível. A proposta é trazer uma reflexão aprofundada sobre as estruturas urbanas de Juiz de Fora a partir de análises e levantamentos diversos, que vão desde o documento acadêmico “Crescimento a Custo da Favelização”, de Ellen Rodrigues e Luiza Cunha Lenzi, até os dados oficiais sobre a calamidade pública que atingiu o município em fevereiro deste ano.

Por meio desse projeto, o sindicato reafirma seu compromisso com a luta por moradia digna, pela valorização do serviço público e por uma cidade que inclua todos os seus habitantes — não apenas no discurso, mas no direito concreto ao teto, à infraestrutura e à segurança.

SINSERPU-JF: Em defesa da vida, do serviço público e da moradia digna.

A seguir, confira o primeiro episódio da série “A cidade invisível”:

O DIREITO NEGADO — A ORIGEM DA CRISE

Enquanto Juiz de Fora contabiliza os mortos e desabrigados da tragédia climática de 23 de fevereiro de 2026, uma pergunta incômoda insiste em não se calar: por que as águas levaram justamente as casas de quem sempre foi empurrado para as bordas da cidade?

O documento “Crescimento a Custo da Favelização”, que o SINSERPU-JF analisa nesta série especial, escancara uma verdade que as elites locais sempre tentaram esconder: a calamidade de hoje é o resultado direto de décadas de omissão do poder público em garantir moradia digna à população trabalhadora.

O ciclo vicioso da exclusão

Desde a década de 1940, com o declínio industrial, Juiz de Fora assistiu a um fenômeno que se repetiria por gerações: imigrantes e negros recém-libertos chegavam à cidade em busca de trabalho, mas seus salários jamais correspondiam ao custo de uma moradia adequada. O documento é claro: “as ocupações irregulares se tornaram recorrentes porque seus respectivos salários não correspondiam às necessidades para moradias adequadas” .

Não se tratava de escolha. Tratava-se de sobrevivência. E o poder público, em vez de garantir o direito constitucional à moradia, optou historicamente pela criminalização da pobreza.

Enquanto famílias inteiras se amontoavam em barracos de madeira nas encostas e beiras de rio, os investimentos municipais seguiam outro rumo: infraestrutura para os bairros nobres, incentivos fiscais para indústrias e obras de embelezamento das áreas centrais. A moradia popular jamais foi prioridade.

O resultado em 2026

Hoje, com mais de 200 famílias desabrigadas e um número de mortos que ainda assombra a cidade, colhemos os frutos dessa escolha política. As áreas de risco de hoje são exatamente aquelas onde, há 50, 60 ou 70 anos, o poder público permitiu que os pobres se instalassem — porque era mais barato empurrar para o morro do que construir no plano.

O SINSERPU-JF reafirma: não há solução para a crise climática sem solução para a crise habitacional. Enquanto a moradia digna não for tratada como prioridade absoluta, cada chuva forte será uma tragédia anunciada.


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